quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Aumento nas exportações ajuda a alavancar o preço da arroba do boi

Brasil exportou entre janeiro e agosto 1,045 milhão de toneladas de carne. Vendas renderam US$ 4,75 bilhões às indústrias brasileiras.


Este ano, houve aumento nas exportações de carne bovina brasileira. A alta chega a 10% em volume. Esse movimento ajudou a alavancar o preço da arroba do boi.

A carne está conquistando cada vez mais o paladar dos clientes estrangeiros. Nos primeiros oito meses do ano, o produto enviado para fora do país rendeu às indústrias brasileiras US$ 4,75 bilhões, com aumento no faturamento de 13,7% em relação ao mesmo período de 2013. O volume também cresceu. O Brasil exportou entre janeiro e agosto 1,045 milhão de toneladas. Houve aumento de 10%.

A gestora técnica da Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (FAMASUL) aponta um dos motivos para a valorização. “Um dos principais fatores foi a redução de produção de países importantes como Austrália e Estados Unidos, que reduziram, principalmente, em função climática. E isso fez com que eles buscassem esse produto em outros mercados. O Brasil a aproveitou essa oportunidade”, diz Adriana Mascarenhas.

Irã, Egito, Venezuela e Chile são exemplos de países que preferiram comprar a carne produzida no Brasil. Além deste grupo, dois clientes fizeram a diferença. Os números positivos se devem especialmente à demanda de Hong Kong e Rússia, que continuam liderando o ranking de mercados importadores da carne brasileira. Esse cenário contribuiu de forma positiva nos preços pagos aos criadores.

O pecuarista Carlos Henrique Xavier faz engorda de animais em Campo Grande e envia lotes para o frigorífico o ano todo. Este mês, o criador já recebeu ofertas de R$ 125 e está animado com o mercado. “Está compensando porque a arroba reagiu bastante. No ano passado, o boi não chegava nem a R$ 100 a arroba. Esse ano, já atingiu R$ 125”, compara.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Seca prejudica pastagens e aumenta custo de produção dos ovinos em São Paulo

Manejo e reserva de alimentos na propriedade são diferenciais para enfrentar estiagem que afeta a região


A carne de cordeiro está bem valorizada no mercado, com demanda crescente. A seca que atinge a região Sudeste, no entanto, prejudicou as pastagens e aumentou o custo de produção dos ovinos. Nesta situação, o manejo e a reserva de alimentos na propriedade são os diferenciais para enfrentar a estiagem sem perder produtividade.

No interior de São Paulo, o capim vaqueiro está resistindo graças ao manejo. Quando houve chuva, foi feita adubação à base de nitrogênio. Com o tempo seco não dá pra adubar, porque não há fixação do nutriente no solo.

Sem a chuva, outro cuidado é importante: não pode ocorrer o super pastejo, quando há excesso de animais no pasto. As ovelhas precisam ser bem distribuídas.

Em uma propriedade de Nazaré Paulista, o capim ainda alimenta boa parte dos animais, mas já apresenta algumas deficiências. As matrizes tiveram que ganhar, uma vez por dia, um reforço com ração rica em proteínas.

– As fêmeas mal alimentadas não manifestam o cio. Portanto, não vão ser cobertas pelo macho. Não sendo cobertas, não vão parir. Não parindo, não tem o principal alimentador financeiro da atividade, que é o animal resultado desse cruzamento. Se ela, por um acaso, gestar, ela vai prenhar muito mal, porque está mal alimentada. Gera uma cadeia de males e de problemas de difícil solução – explica o consultor de ovinocultura, Walter Celani.

A ração das matrizes aumenta o custo de produção de cordeiros. Para o produtor Gerson Ferreira da Silva, que investe na cultura há dois anos, a alta chega a 50%. O pecuarista já percebeu que não pode contar só com o pasto para o sustento dos animais. Uma reserva de 90 toneladas de silagem de milho, produzida em 2012, está pronta para um momento de emergência.

– Eu estou preocupado. Se não chover, eu vou ter que dar ração para todos os animais. Então, a minha preocupação hoje é com o dia de amanhã – comenta Silva.

De acordo com o consultor de ovinocultura, para produzir uma tonelada de silagem o custo hoje fica em torno de R$ 70 a R$ 80, valor próximo ao do capim no pasto devidamente adubado e tratado.

Mercado compensa

Toda preocupação do produtor tem sido recompensada pelo mercado aquecido. É grande a procura pela carne de cordeiro. Silva vende 50 cabeças por mês e quer aumentar a produção. O cordeiro é vendido a R$ 12 o quilo.

– Chega a dar R$ 220, R$ 280 cada animal. Com 120 dias já está pronto para o abate – comemora.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Manual padroniza classificação de carcaças por acabamento

Documento é fruto de uma parceria de entidades como Famasul, Acrissul, Sociedade Rural Brasileira e Embrapa Gado de Corte e deve ser lançado em breve

 

A transparência faz diferença no relacionamento entre pecuarista e indústria e, principalmente, na hora de produzir com qualidade. Porém, muitas vezes, alguns desencontros e insatisfações geram incômodo na hora de pagar o preço correto da carcaça e de se classificar o acabamento do animal entregue pelo produtor. Por esse motivo, um grupo de associações, indústrias e pecuaristas está desenvolvendo um manual fotográfico descritivo para melhor classificar e padronizar as carcaças bovinas.

Em parceria com diversas entidades como Associação dos Criadores de Novilho Precoce do MS, Famasul, Acrissul, Serviço de Inspeção Federal, Embrapa Gado de Corte, Sociedade Rural Brasileira, pecuaristas de todo o Brasil se reuniram em Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, e deram o primeiro passo para implementar um modelo formal de classificação de carcaças por acabamento, que deve estar disponível em breve.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Pesquisas apontam que bem-estar animal influencia na qualidade da carne

Pesquisadores de nove países se uniram na USP de Pirassununga, SP.
Bem-estar da criação pode gerar lucros para o produtor.


 Os cuidados com os animais podem influenciar na qualidade da carne. Pesquisadores de nove países criaram um Centro de Estudos em Pirassununga, São Paulo, e conseguiram provar que o bem-estar da criação gera lucro para o produtor.

Sem estresse e cheios de disposição, o tempo de amamentação é importante para que os porcos desenvolvam-se bem.

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) comprovaram que os filhotes quando são tirados de perto da mãe antes de completarem três semanas podem ficar mais agressivos. Eles fizeram testes com a saliva dos animais e constataram uma grande quantidade de cortisol, o hormônio do estresse.

A pesquisa é uma entre várias que vêm sendo desenvolvida no Centro de Estudos em Saúde e Bem-Estar Animal na USP de Pirassununga, região central de São Paulo. O polo foi criado há um ano e reúne cientistas de nove países.

O chefe do comitê do Ministério da Agricultura da Alemanha, Jöer Hartung, é um deles. Ele conta que a região foi escolhida porque a universidade é referência em pesquisas na área.

A USP em Pirassununga tem uma área de 2,5 mil hectares, onde são desenvolvidas pesquisas sobre 12 espécies de animais, que têm interesse econômico, como os suínos e os bovinos.

A ideia é desenvolver uma série de protocolos e criar um selo de qualidade para que, no supermercado, o consumidor tenha certeza de que em todo o processo de produção foi pensado no bem-estar animal, um diferencial para quem investe no setor.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Mercado do boi gordo segue com pressão de alta

Referência do animal está em R$ 127,00 a arroba, à vista


O mercado do boi gordo terminou a última semana mais calmo, segundo a Scot Consultoria. Dados da consultoria apontam que não ocorrem negócios abaixo da referência R$ 127,00 a arroba, à vista. Algumas compras ocorrem em valores até R$ 2,00 a arroba acima deste patamar, pontualmente.

Parte das indústrias paulistas conseguiu prolongar as escalas de abate, ocasionando redução de algumas ofertas de compra.

Vaca

A arroba da fêmea terminada subiu para R$ 117,00 a arroba, à vista. Os estoques dos frigoríficos não estão abastecidos, no entanto, a venda regular de carne bovina gera receio quanto a recuo dos preços, outro fator que motivou os frigoríficos a negociarem menos animais nesta segunda, dia 1º.

No Rio Grande do Sul e na região de Cuiabá-MT, houve ligeira melhora da oferta, o que gerou queda de preços. Segundo a Scot, embora o mercado trabalhe em ritmo mais lento, persiste a escassez de animais terminados nas regiões produtoras, o que deverá pressionar as cotações para cima em curto prazo.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Agropecuária cresce 0,2 % no trimestre

O Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária cresce 0,20 %, enquanto o da indústria cai -1,50 % e serviços -0,50 %, em relação ao primeiro trimestre deste ano



Diferente dos demais aspectos da economia, a agropecuária não mostra redução no ritmo de crescimento, quando se compara as taxas do segundo trimestre de 2014 com as do primeiro.

No acumulado de 2014, em relação ao ano de 2013, a agropecuária cresce 1,20 %. Segundo análise da Assessoria de Gestão Estratégica do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (AGE/Mapa) esta taxa é baixa porque é calculada em relação a 2013, quando o crescimento foi de 7,0% ao ano.

O IBGE atribui a estabilidade do crescimento da Agropecuária (0,0 %), em comparação a igual período do ano anterior, à produtividade e ao desempenho de algumas lavouras que têm safra relevante no trimestre.

São destacados a soja, com crescimento da produção anual de 6, 0%; arroz, 4,4 %; mandioca, 10,4 % e algodão, 25,4 %. Esses produtos têm também participação expressiva no valor da produção agropecuária. Por outro lado, o IBGE destaca que milho e café tiveram variação negativa na produção anual. As estimativas para a pecuária, silvicultura e extração vegetal também apontaram para um fraco desempenho no decorrer do segundo trimestre.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Produção de grãos: alta de 2,6% na safra

Soja em alta permanece como destaque da colheita prevista para este ano. Aumento das áreas plantadas deve encerrar período de crescimento, em decorrência na baixa do preço de commodities


O Brasil deverá registrar uma produção de grãos de 193,47 milhões de toneladas. O volume é aproximadamente 2,6% superior à safra passada, que representa um aumento de 4,81 milhões de toneladas em relação ao mesmo período do ano anterior. O dado é do 11º levantamento de grãos da safra 2013/2014, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) na semana passada. O maior destaque foi mais uma vez a cultura de soja, que apresentou um incremento de 5,1% na produção, o equivalente a 4,16 milhões de toneladas.

O total de área destinada ao plantio de grãos deve chegar a 56,85 milhões de hectares, o que significa uma alta de 6,1% se comparado à área de 53,6 milhões de hectares da safra passada. A soja segue com crescimento de 8,7%, passando de 27,7 para 30,1 milhões de hectares. A cultura de trigo também apresentou crescimento expressivo, saindo de 2,2 milhões de hectares para 2,6 mil hectares, um crescimento de 20,7%. Outro produto a ser destacado é o feijão, que apresentou recuperação de área principalmente no Nordeste.

Segundo o diretor da Sociedade Nacional de Agricultura, Fernando Pimentel, a expansão da área colhida, para 56,2 milhões de hectares é um número bastante positivo, que parece encerrar um ciclo virtuoso de sete anos de boa rentabilidade no campo. Diante dos preços deprimidos para quase todas as culturas anuais de importância econômica, em particular a soja e o milho, “é de se esperar uma redução nesse ritmo de expansão que não deve passar de 3% para 2015”. Para ele, esse número poderá ser ainda menor no ciclo 2015 – 2016, se as safras forem regulares no período.

De acordo com Pimentel, a boa safra americana de soja e milho em fase final vai recompor os estoques internos que norteiam a precificação dessas commodities na Bolsa de Chicago, o que tira o peso sobre a oferta e coloca os compradores, em particular a China, na zona de conforto. “Como ainda temos muita soja e milho no hemisfério Sul, talvez enfrentemos um horizonte de preços baixos pelo período de 12 a 18 meses, até que tenhamos uma recuperação da renda no campo e, consequentemente, estímulos para crescer novamente. Esse cenário para o milho e soja encontra um mercado já deprimido para o café, algodão, laranja e cana, o que deverá impactar o VBP nacional desse ano e do próximo, além de prejudicar a nossa balança comercial”.

A Conab fez a pesquisa entre os dias 20 e 26 de julho. Durante o estudo, foram levantadas informações de área plantada, produção e produtividade média estimada, evolução do desenvolvimento das culturas, pacote tecnológico utilizado pelos produtores, evolução da colheita, entre outras variáveis.