terça-feira, 15 de abril de 2014

Rio Grande do Sul tem alta recorde para preço do boi gordo

Média da cotação teve aumento em todo o país



Os pecuaristas gaúchos estão ganhando em média R$ 0,80 a mais pelo quilo da carne em comparação aos ganhos obtidos em 2013. Este ano, a média do preço do boi gordo teve aumento em todo o país, mas no Rio Grande do Sul a alta é recorde.

Em São Francisco de Paula, na Serra Gaúcha, criadores das raças Angus e Braford comemoram o bom momento nos negócios. Em 2013, Manoel Teixeira vendia o quilo da carne a R$ 3,70. Este ano, foi para R$ 4,50. De acordo com o pecuarista, a baixa oferta de carne é o que tem favorecido.

– Quanto menor a oferta, melhor o preço. Nós tivemos dois meses de praia, que houve um consumo bastante significativo. Na nossa região, nessa época, nós temos poucas lavouras, então a nossa oferta reduz bastante. Agora, nós começamos a plantar as lavouras, daqui a dois meses vamos estar com as lavouras lotadas de gado, e aí a oferta vai ser significativa – explica Teixeira.

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São Francisco de Paula (RS) é o 17º município em número de cabeças de gado no Rio Grande do Sul, com 150 mil cabeças. As feiras de terneiros que ocorrem anualmente na cidade, e as características da região, também contribuem para a valorização da carne.

Segundo o analista Fábio Medeiros, a alta ainda está acontecendo e será favorecida pela redução na oferta e aumento de demanda.

– O consumo está forte, especialmente pelo ciclo da pecuária, onde nos últimos anos se abateram muitas vacas para expandir a área de soja, que se tornou um negócio de oportunidade. Isso empurrou as cotações a escalas bem reduzidas – comenta Medeiros.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Clube da Irrigação encerra Tour Amarelo com picos de produtividade de 106 sacas de soja por hectare

Média foi de 80 sacas por hectare em propriedade do Rio Grande do Sul. Coordenador do projeto acredita em alcance de 120 sacas/ha em algumas lavouras



O último dia de Campo do Clube da Irrigação, o Tour Amarelo – Soja, reuniu mais de 80 produtores em Cachoeira do Sul, na Região Central do Rio Grande do Sul, na terça, dia 8. O evento aconteceu na propriedade de Udo Strobel, onde a produtividade da oleaginosa alcançou picos de 106 sacas por hectare, com média de 75 sacas/ha. O coordenador do Clube, João Telles, acredita, no entanto, que em algumas lavouras a produtividade chegue a 120 sacas por hectare.

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– Com o milho atingimos o objetivo, que era 300 sacas por hectare. Quanto à soja, acredito que teremos picos, em algumas lavouras, de 120 sacas por hectare. Claro, vamos deixar claro que não é média, são picos. Se, com pivô, conseguimos 120 sacas é porque nós podemos correr atrás, para tornar as áreas altamente produtivas. Na média, trabalhamos entre 75 a 80 sacas por hectare. 

Além de conhecerem os resultados obtidos nas lavouras de soja e milho das áreas manejadas pelo clube, os produtores rurais da Região Central do Estado tiveram a oportunidade de conhecer as tecnologias recomendadas, tanto para as culturas principais como para as coberturas de inverno nas lavouras assistidas. Para o próximo ano-safra, o clube pretende consolidar os números e aumentar a área com alta produtividade.

– Estamos pensando em uma média de 90 sacas por hectare onde os pivôs estiverem. É para isso que estamos trabalhando. As empresas estão imbuídas nesse objetivo, de irmos a campo juntamente com a pesquisa e levar essas ferramentas aos nossos produtores – acrescenta Telles. 

Responsável pela parte da pesquisa, o professor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Telmo Amado, explica que as intervenções e o manejo nas quatro propriedades assistidas são feitos o ano todo, e que isso foi fundamental para o resultado final.

– Trabalhamos de forma sistêmica, olhamos o conjunto de todas as práticas, temos um rígido controle. Esse material genético tem um potencial genético extraordinário. 

As práticas visam barrar a manifestação de fatores limitantes nas lavouras. De acordo com o professor, o que mais preocupa são as lagartas, por competirem de forma direta com as plantas.

– A ocorrência de invasoras é um fator que atrapalha nossa produtividade, por vários fatores, há competição por luz, por água. Estamos muito preocupados com a questão da água, embora agora o clima esteja para chuva, tivemos um déficit hídrico, e isso tem se repetido aqui no Sul. É importante termos estratégia para que não tenhamos competição ou o mínimo possível de competição – acrescenta Telmo Amado.

O Clube da Irrigação foi idealizado em 2010 e é fruto de uma parceria entre Sistema Farsul, Universidade Federal de Santa Maria e as empresas Stara, Fockink, Dekalb, Mosaic, Intacta RR2 PRO e Sistema Roundup Ready Plus. O objetivo das atividades é integrar tecnologias para o aumento da eficiência do campo, reunindo empresas e produtores para buscar grande produtividade em áreas irrigadas.

Safra 2013/2014

Pejuçara (RS) recebeu em janeiro o Tour Verde – Soja, onde produtores rurais puderam conhecer o trabalho do Clube da Irrigação, que busca aumentar a produtividade das lavouras de soja gaúchas.

Em fevereiro o Tour Amarelo – Milho passou pela cidade de Seberi (RS). O evento acompanhou a colheita do milho e os produtores receberam orientações sobre manejo integrado de pragas e plantas daninhas.

terça-feira, 1 de abril de 2014

Mercado do boi gordo inicia semana com pressão de baixa em seis praças brasileiras

Em São Paulo, arroba apresentou queda e está cotada em R$ 124,00, à vista



De acordo com a Scot Consultoria, foi verificada, de maneira geral, pressão baixista nessa segunda, dia 31, com recuo de preços em seis praças pecuárias brasileiras para o boi gordo. Em São Paulo, houve queda na referência para o boi gordo, que está cotado em R$ 124,00 a arroba, à vista.

Também foi registrada uma leve melhora na oferta, que tem possibilitado o alongamento das escalas dos frigoríficos e a pressão baixista no mercado, informou a Scot. A maioria das indústrias paulistas está com escala feita até a próxima segunda.

Com os recuos de preços observados na semana passada para a carne bovina no atacado, a tendência é que os frigoríficos continuem testando o mercado com preços abaixo da referência. O boi casado de animais castrados está estável em R$ 7,57 o quilo.

Mesmo com a melhora na demanda com o início do mês, como os estoques estão mais abastecidos, não estão descartadas quedas de preços para a carne no mercado atacadista.

quinta-feira, 20 de março de 2014

Relação entre etanol e gasolina atinge 71,6% na 2ª prévia do mês

A relação média entre o preço do etanol e o da gasolina em São Paulo atingiu 71,60% na segunda semana de março, de acordo com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe)


É o maior patamar para o período desde 2011, quando, na segunda semana de março daquele ano a relação era de 77,15%. Contudo, o número é um pouco menor do que o da primeira semana de março de 2014, quando ficou em 72,04%. Em 2013, na segunda semana de março, a relação estava em 71,13%.

Para especialistas, o uso do etanol deixa de ser vantajoso em relação à gasolina quando o preço do derivado da cana-de-açúcar representa mais de 70% do valor da gasolina. A vantagem é calculada considerando que o poder calorífico do motor a etanol é de 70% do poder dos motores a gasolina. Entre 70% e 70,50%, é considerada indiferente a utilização de gasolina ou etanol no tanque.

O coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), Rafael Costa Lima, atribui a manutenção do etanol em patamar desfavorável à forte alta dos preços do álcool combustível, que na segunda quadrissemana de março avançaram 6,04% no IPC. A gasolina subiu 1,49%.

quarta-feira, 19 de março de 2014

Arroba do boi deve ir a R$ 130 entre setembro e outubro, aponta ABCZ

Além dos fatores climáticos (seca e chuva) nas praças pecuárias do país, firmeza dos preços se deve à falta de animais para o abate


O presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), Luiz Carlos Paranhos, disse que a cotação do boi gordo no mercado físico deve chegar "tranquilamente" a R$ 130 a arroba entre setembro e outubro, a depender da oferta no período do volume de animais confinados.

– Em abril e maio, os preços podem ceder um pouco, mas de R$ 100 a arroba (base São Paulo) não passa. E aí, na entressafra, entre setembro e outubro, a arroba passa dos R$ 130, tranquilamente. A não ser que venha um volume muito grande de bois de confinamento – declarou Paranhos, no lançamento da 80ª Expozebu, que será realizada entre os dias 3 e 10 de maio, no Parque Fernando Costa, em Uberaba (MG).

Ele afirma que, além dos fatores climáticos (seca e chuva) nas praças pecuárias do país, a firmeza dos preços se deve à falta de animais para o abate, por conta da diminuição da oferta na recria.

– No ano passado a alta da recria foi um dos primeiros sinais para uma arroba valorizada em 2014. O bezerro de seis arrobas, por exemplo, que deveria ser vendido entre R$ 600, R$ 700 a cabeça (base Mato Grosso) era vendido a R$ 700, R$ 800 a cabeça. Hoje você encontra esses animais a até R$ 1 mil a cabeça. Aí quando há um aumento de bezerro, há uma retenção de vacas e a oferta diminui – disse.

Sobre a tendência de confinamento, Paranhos acredita que os volumes serão maiores do que os do ano passado, mas não soube avaliar se serão suficientes para atender a toda a demanda.

– O confinador pode se animar por conta dos melhores preços do boi gordo apontados no mercado futuro – declarou.

Segundo ele, as margens do produtor hoje estão "muito boas", mas os preços da carne não podem superar a capacidade de o consumidor pagar pelo produto, caso contrário resultará em queda no volume vendido, gerando todo um impacto negativo na cadeia.

Expozebu

A 80ª Expozebu homenageará pessoas que ajudaram a construir o caminho para fomentar o gado zebuíno na base da pecuária nacional.

– A genética anda junto com a pecuária comercial. E nós, como criadores de melhoramento genético, temos que fazer um esforço grande pela pecuária nacional, para aumentar a produtividade do setor – disse Paranhos.

Ele informou que, hoje, a média de produtividade nacional é de uma unidade de animal por hectare.

– Temos condições de chegar facilmente a duas unidades de animal por hectare, principalmente de melhorarmos manejo. Esse é o grande desafio – disse.

A expectativa é de que a feira movimente mais de R$ 150 milhões com a realização de 40 leilões e negócios das empresas.

quinta-feira, 13 de março de 2014

Neri Geller será o novo ministro da Agricultura

Antônio Andrade pode voltar à Câmara dos Deputados ou concorrer ao cargo de vice-governador de Minas Gerais


O Secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Neri Geller (PMDB), assumirá o comando da pasta, informou sua assessoria de imprensa ao Canal Rural. Geller era o nome mais cotado para substituir o também peemedebista Antônio Andrade, que assumiu o cargo em março de 2013.

Andrade, que havia informado que permaneceria no comando até o dia 4 de abril, data final estabelecida pela presidente Dilma Rousseff, pode voltar à Câmara dos Deputados ou concorrer ao cargo de vice-governador de Minas Gerais ao lado de Fernando Pimentel (PT).

Neri Geller filiou-se ao PMDB no final do ano passado e conta com apoio do partido e dos parlamentares ligados ao Estado de Mato Grosso, onde é produtor rural.

A troca deve ocorrer na sexta, dia 14, quando Dilma anunciará a saída do ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas (PT). Miguel Rosseto, também petista, que já comandou a pasta no governo Lula, assumirá o cargo.

"Estou sendo abençoado por Deus e sei da responsabilidade", escreveu Geller em uma rede social.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Fazenda tem baixo índice de mortalidade de bezerras com manejo simples

Pecuarista garante cuidados sanitários e nutricionais para evitar a morte de animais

 

Nos primeiros dias de vida, uma bezerrinha de aptidão leiteira é muito sensível. Cabe ao pecuarista garantir cuidados sanitários e nutricionais para evitar a morte desse animal. Com manejo simples, uma fazenda do Estado de Goiás consegue índices baixíssimos de mortalidade, em torno de 1%. O assunto foi abordado no quadro Rebanho Gordo do Jornal da Pecuária desta quinta, dia 27.

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Com tantos recém-nascidos no mesmo lugar e todos com a imunidade ainda baixa, a chance de uma bezerrinha ficar doente é muito grande. Em propriedades leiteiras, se o manejo sanitário e nutricional falhar, o índice de mortalidade pode chegar até a 20%, segundo o médico veterinário Flávio Cobianchi. Mas o ideal é que não passe dos 5%. Essas perdas geram um prejuízo silencioso para o pecuarista.

– O pecuarista não vê que está perdendo. Ele deixa de ganhar, porque essas bezerrinhas seriam no futuro vacas em lactação – afirma Cobianchi.

Nesta fase, a prevenção é o único remédio. A oferta do colostro e a cura do umbigo são essenciais e devem ser feitas logo após o nascimento. No Centro de Apoio Pró-Campo Piracanjuba, em Bela Vista de Goiás, a 40 quilômetros ao sul de Goiânia, o colostro é avaliado antes de ser fornecido aos filhotes. E eles mamam na mamadeira, para que o pessoal da fazenda saiba a quantidade exata que receberam.

– Algumas mães não têm colostro de qualidade e daí recorremos ao banco de colostro – explica Cobianchi.

Na fazenda são usados três tipos de bezerreiros, cada um para uma fase de idade. O modelo chamado de chileno, ou argentino, é destinado às recém-nascidas. Nessa fase, os animais não devem ter contato uns com os outros para evitar a contaminação cruzada.

Por volta do quinto dia depois do nascimento, as bezerrinhas já começam a receber ração a base de soja e milho misturada em um pouco de leite em pó para despertar o interesse delas pela alimentação sólida. No início, o consumo é bem pequeno, mas vai aumentando com o passar dos dias. Com dois meses e meio ela já come em torno de um quilo e já pode ser desmamada.

Além da quantidade de ração ingerida e da idade, o peso também interfere na hora da desmama. O ideal é que, para ser desmamada, a bezerrinha já tenha o dobro do peso que tinha ao nascer. Depois que largam a mamadeira, os animais recebem apenas ração e forragem de qualidade. Com esses cuidados, a fazenda consegue manter o índice de mortalidade em torno de 1%.

– Trabalhamos com bezerro que requer um cuidado muito grande, nutrição, aleitamento, aferição de temperatura, procurando a causa do problema para que seja cuidado mais rápido – conta o gerente de agropecuária Cleidiomar Assunção Silva.