Segundo pesquisador da Embrapa Trigo, durante o inverno cinco milhões de hectares ficam ociosos no Sul

– No inverno, temos área de lavoura disponível para fazer pasto – diz Fontaneli
O pesquisador comparou a área cultivada no verão – aproximadamente seis milhões de hectares – com soja, arroz, feijão e sorgo, com a área cultivada no inverno – em torno de um milhão de hectares – com trigo, aveia branca, cevada, triticale e centeio.
– A atividade leiteira é árdua, complexa, mas permite renda. Temos de encarar essa atividade como “duas colheitas” por dia.
A integração lavoura-pecuária de leite, em um Estado de clima subtropical como o Rio Grande do Sul, abriria uma “janela de oportunidades” para diversificar e aprimorar os sistemas de produção de grãos e de pastagens, conservaria melhor o solo, reduziria a incidência de doenças e plantas daninhas, tornaria mais eficiente o uso das máquinas agrícolas e alargaria a margem de lucro do produtor.
– O problema do sistema intensivo é que ele acaba estreitando a margem de lucro – justifica Fontaneli, embasado na pesquisa realizada pela Embrapa sobre Leite a Pasto em Sistemas de Integração Lavoura-Pecuária.
– O pessoal fica com o pé atrás quando eu digo que a vaca que precisamos, a minha avó já conhecia. Genética nós temos, nós precisamos é de alimento – insiste Fontaneli.
Partindo do pressuposto de que não se pode dar qualquer coisa para as vacas comerem, a pesquisa feita pela Embrapa sugere o plantio e manejo de gramíneas e leguminosas forrageiras e cereais de inverno de duplo propósito – trigo e aveia.
Entre as espécies anuais de inverno, foram sugeridos trevos, aveia, azevém, com maior taxa de crescimento entre agosto e outubro. Entre as espécies perenes de inverno, poderia se pensar na festuca, trevo branco e cornichão, com crescimento entre setembro e novembro. Na lista das espécies perenes de verão, a Embrapa indicou tifton, quicuio, jesuíta, hermatria, com maior taxa de crescimento entre setembro e outubro.
– Dá para fazer muito dinheiro por área, o desafio é consorciar, fazer essa engenharia – assegura Fontaneli.
Nos Estados Unidos, quando concluiu o curso de doutorado há mais de dez anos, Fontaneli comparou a produção de leite de vacas em confinamento e tratadas no pasto. Segundo ele, nessa época uma vaca confinada produzia 30 litros diários. No pasto, a produção baixava para cinco litros. Entretanto, ele aponta que o custo do confinamento era US$ 4 vaca/dia e o custo do alimento no sistema a pasto, US$ 1 vaca/dia.
– Muito bem, perdi cinco litros de leite, mas entrou mais dinheiro no bolso, sobrou 10% a mais. Será que um bom pasto de inverno dá para fazer uma vaquinha produzir 15 litros de leite a pasto aqui? Dá. Com pasto de valor, a vaca come, por dia, 15 kg de matéria seca, logo irá produzir 15 litros de leite. Quanto me custou esse quilo de matéria seca? Dez centavos – calcula o pesquisador.
De acordo com pesquisador da Embrapa Trigo, é preciso tomar o cuidado de não apresentar modelos.
– Precisamos conhecer as opções e adaptá-las às condições locais. A cevada, por exemplo, tem alta energia líquida para lactação. No mundo inteiro, mais de 70% da cevada é usada na alimentação animal. No Brasil, é usada para cerveja.
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